
Escolhi a mesa perto da janela, em um dos reservados ainda vago, havia mais duas mesas ocupadas com algumas bilus e uma outra com uma racha solitária.
Fiz meu pedido e enquanto não vinha, dava um conferida na zero hora.
Parecia um final de tarde normal após uma leve corrida.
Caminhando um tanto apressada, entra uma bee bem bonita e vai direto ao stand dos picolés.
Ela se acomoda em uma das mesas restantes, abre o picolé e pede uma agua sem gás com tanta classe como se estivesse no Fasano.
Não muito depois disso, como em um comercial de perfume da Dior, surge uma espécie de pessoa que facilmente odiaríamos pela gostosura e beleza se não fosse pelo fato de querermos ele ao lado dos nossos ursinhos de pelúcia.
Ouve-se um suspiro coletivo.
Ele pede um suco de graviola com ameixa verde da Amazônia.
A bee bonita fica tensa, dá sinais de sudorese e o bonito & gostoso, como se estivesse em comercial de aparelho celular, mexe em seu brinquedinho (o tecnológico) como se não existisse mais ninguém no recinto.
E eis que acontece uma cena que deu origem a todo um movimento: o surrealismo.
A bee bonita começa a fazer pirocoptero com seu magno, no maior estilo Fernanda Motta.
Ouve-se risadinhas das bee's da minha mesa ao lado, algumas até se olham querendo dizer:
_ quêisso?
O nosso príncipe da tarde ameaça gorfar, coloca seus óculos escuros e bebe em um gole só o seu suco de mandioca com pitanga colhidas pelas índias vesgas do sul do Mato Grosso.
A bee bonita, com a boca lambuzada tipo criança de dois anos comendo feijão, fica visivelmente decepcionada quando o bonito vai pro caixa pagar seu suco e sair de cabeça baixa.
Um minuto de silêncio foi feito, as bee's amigas da mesa ao lado olham para a bonita com um olhar de consternação.
Mas bee bonita que é bee bonita não deixa quieto. Ajeita sua regatinha dry fit, tira os óculos dos sedosos cabelos e desabafa:
_ " garanto que ele tinha o pau pequeno."
Foi impossível conter o riso geral, a impressão que tinhamos é que todo mundo se conhecia e estávamos na sala de casa.
A bee bonita pagou a conta e seguiu seu rumo.
Fiz o mesmo e as outras, provavelmente.
Depois do acontecido fiquei debatendo com os meus botões: A bee ja era bonita, toda boa e claro, não sabemos a preferência do delícia, mas mesmo assim, não precisava: já é bonita deixa pra ser sensual no conforto do seu quarto, quando a presa já estiver garantida ou, na pior das hipóteses dá um treinadinha antes, néam?